Relatos do WebMedia 2009 por @sabiotriste



Bom, primeiramente gostaria de pedir desculpas pela demora em escrever sobre nossa ida ao WebMedia 2009 em Fortaleza-CE. Nesse mundo fast-food, da gratificação instantânea, não faz nem muito sentido escrever sobre um evento que já passou há mais de uma semana. Para falar a verdade, o que me levou a essa demora  foi a minha promessa a mim mesmo de não beber até realizar uma grande coisa.

Ainda estou me adaptando em tirar as idéias do suco de laranja. Parei de beber por uns tempos porque preciso ser mais competente. As pessoas competentes não ficam enchendo a cara enquanto fazem algo importante, elas cumprem bem as tarefas que lhes são destinadas sem empecilhos ou objeções. As pessoas brilhantes não precisam de nada disso. Elas simplesmente calam a boca de quem as critica. Mas eu não sou brilhante, então vou ali fazer um suquinho de laranja para continuar.

Bom, foi meu primeiro evento desse porte então cometi alguns erros de principiante. Me empolguei  e me inscrevi logo em 3 mini-cursos de 6 horas, então passei quase todo o tempo do evento assistindo aula. Não sei se pude aproveitar muito do evento.

Ao todo minha inscrição custou R$ 211,00, com uma dinheirama dessa pensei que o coffee break fosse pelo menos uns salgadinhos daqueles gordurosos e gostosos, doces, bolos… mas como eu estava enganado, no primeiro dia foi paezinhos com patê, no segundo dia eu me animei porque variou, foi pão de torrada com patê, no terceiro dia eu esperava pelo menos um pão integral com patê, mas nem o pão variou, ou seja, passei três dias comendo pão, foi minha maior frustração do evento, no mais, tudo azul.

No primeiro diz assisti o mini-curso sobre mineração de dados na web. A apresentação do cara passava de 300 slides. Prof. Rafael, do INPE ( Segundo ele: Instituto Nacional de Pessoas Esquisitas). Eu acho que era interessante, mas não deu para pegar muita coisa, simplesmente porque Jezmael ao meu lado não parava de reclamar um segundo: “Oh fome…” , “Que frio…” , “Oh sono…” , “Que fome..”

Nesse dia, DEVIDO A TANTAS RECLAMAÇÕES, resolvemos voltar para casa mais cedo. Jantamos na Habbib’s, depois de um suco de laranja que parecia ter sido feito com a casca (deu vontade de voltar a outro tipo de bebida) fomos embora para a pousada.

Bom, por culpa minha (eu assumo), quase nos perdemos em plena Fortaleza a noite (E olhe que só tinha tomado suco de laranja), eu sabia exatamente a rua que entrar e onde ficava a pousada, mas sabia em teoria, pelo Google Maps, e e isso que as pessoas da Engenharia de software (Os radicais) não entendem, existe um abismo entre o que está no papel e o que existe na vida real. Mas no fim, deu certo.

No segundo dia fomos para o mini-curso de segurança da web, ministrado por Rodrigo, do C.E.S.A.R.

A primeira coisa que quis saber foi a opinião dele sobre a Engenharia de Software, a final, me disseram na UERN que o importante e ler Pressman e Sommerville porque em três meses você aprende qualquer linguagem de programação. Ele disse que lá no C.E.S.A.R engenheiro de software tem que saber programar, que lá todo mundo faz tudo. Bom, imagino uma pessoa que estuda por “SQL em 24 horas” e “Java em 21 dias” seria capaz de levantar os requisitos de segurança de um ambiente web contra SQL injection por exemplo, sem saber nem o que é SQL, ou em como implementar esses requisitos sem saber usar o Prepared Statement do Java.

Após isso, fomos assistir a sessão técnica. Depois de um artigo monótono sobre ‘Qualidade de Vídeo”, a UFMG dominou, foram três artigos apresentados pelo pessoal de lá. Mas sempre o mesmo chato da Qualidade de Vídeo  arranjava um jeito de perguntar: “E as métricas de Qualidade de Vídeo…”. Eu já estava quase me levantando e dizendo ao sujeito: “Querido, não tem cavalo!” (veja A invenção do futebol – os melhores do mundo!)

Neste dia fomos jantar em uma pizzaria. Todo mundo foi menos três pessoas do contra, que quiseram ficar na Habbib’s. Dessa vez o professor Marcelino foi, meu orientador, então já sabia que não podia ficar falando muita besteira (E como é difícil!), ainda bem que não tinha bebida alcoólica!

A pizzaria era de um argentino, o rodízio custava 18 reais por pessoa, mas para conseguir desconto valia até torcer p/ Argentina, de mentira é claro. Mas ele acreditou, fez pelos 12,90. Mesmo assim não foi muito bom negócio p/ a maioria, de tanto comer pão estava meio ruim do estômago… comi 4 pedaços só. Quem tirou o investimento mesmo foi Gustavo (9 pedaços) e Marcelino (8 pedaços), o resto amargou o prejuízo e fez da Argentina um país um pouco menos quebrado. A torre de refrigerante, de 3 litros, foi 16 reais, da próxima vez eu levo um kissuki e peço um copo d’água para fazer um suco.

No penúltimo dia assistimos um mini-curso muito bom, esse valeu realmente a pena, primeiro porque a menina que estava explicando era muito linda, estilo raro por aqui: oriental. Passei o mini-curso inteiro pensando numa forma de tirar uma foto com ela. Lembrei de um chat sem futuro que eu tinha criado com os meninos alguns meses atrás, resolvi ao final do mini-curso mostrar a menina, conversar um pouco, trocar algumas experiências e então gentilmente pedir para tirar uma foto, bem, consegui (Repare minha posição estratégica ao lado esquerdo da japonesinha, haja paciência oriental.):

foto-webmedia

Além disso, o mini-curso foi muito bom mesmo, mostrou na prática conceitos, técnicas e ferramentas para o desenvolvimento de aplicações síncronas na web, como o Google Wave que está estourando por aí. Foi aí que aprendi uma coisa, saber fazer não é o suficiente no mundo acadêmico. Você deve saber fazer e saber o nome do que você fez e usou. Se possível coloque alguns padrões de projeto na usa implementação (se você tiver uma), sendo os mais manjados o Singleton, o Strategy, o Factory e o Observer (esse é quase obrigatório) e também use e abuse dos termos da engenharia de software, desenhando vários diagramas demonstrando a estrutura (fantasiosa) do seu sistema.

Depois disso, fomos assistir uma palestra em inglês, não sei nem sobre o que era, porque eu não entendi nada de nada. E eu pensava que sabia pelo menos me situar, uma coisa é escutar aquelas músicas melosas de Roxette, cheias de Loves e Hearts, outra coisa é ouvir alguém falando inglês ao vivo. Eu me limitei a fazer cara de sabia tudo, balançar a cabeça de vez em quando e ri quando os outros riam. Acho que blefei bem.

Depois disso o evento estava acabando para nós. Era hora partir.

No dia seguinte acordamos bem cedo para aproveitar a manhã na praia, aproveitar para tirar algumas fotos.

No fim, posso não ter gostado de ter comido pão todo dia, ou não ter entendido nada do palestrante em inglês ou de ter torcido para a Argentina por um desconto (mesmo de mentirinha doeu)… Mas posso dizer que valeu a pena. Depois de uma viagem assim, de um evento desse porte, você volta com uma maturidade acadêmica muito maior, você percebe que a ciência é infinita em todas as direções, então, para qualquer lado que se vá, você vai sempre acabar chegando nos limites do conhecimento, e então poderá dar um passo além e fazer sua contribuição, poderá por exemplo, demonstrar a influência das métricas de qualidade de vídeo no processo da preparação do pão com patê, se possível, usando o padrão de projeto Observer.

Thalles Robson – @sabiotriste

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